sábado, 15 de setembro de 2012



 Novas pulsações





Vladimir Kush

                     






Tenho um blog, logo existo
 
Sociedade líquida, mundo pós-moderno, necessidade de parecer para poder ser. Nesse contexto,  entrelaçado e, muitas vezes criado pelas novas tecnologias; é preciso estar no grupo,  assim como se destacar nele ou dele. 

Ter um espaço na Internet para chamar de seu, para expressar sua ideologia, colocar suas dúvidas, seus desejos, parte de sua vida - mesmo a virtual (do vir a ser)-  é algo que interessa a qualquer internauta, por extensão a cada aluno. Será? 

Inserida ( ou pretendendo inserir-se ) no contexto atual,  a escola utiliza-se dos blogs para divulgar, armazenar ou até mesmo refletir sobre determinados conhecimentos. “Antenada”, estimula a autonomia e a responsabilidade de seus atores professores e estudantes.  Aí residem os acertos e os erros dos blogs educativos e a recepção dada a eles pelos alunos. 

Utilizados como  um simples caderno, bloco de anotações ou lousa, muitos blogs apresentam resumos, exercícios para fixação de conteúdos e notas de esclarecimento. 

Esse uso parece desconhecer o gênero textual blog e o equipara a outros gêneros já conhecidos. O que se vê nesses blogs é a absoluta falta de interação e a monotonia de textos e exercícios extremamente longos e desinteressantes, algo muito próximo ao gênero textual caderno de aula ou livro didático. 

Há uma diversidade de blogs nesse formato e uma única avaliação salta aos olhos de quem os observa: alguém editou uma ou mais páginas  para informar algo a alguém ou para formar alguém. São espaços frios que, em pouco tempo, morrem de solidão, embora muitos tenham uma interface bem agradável. 

Há, entretanto, outro tipo de blog: aquele que instiga, provoca interação, problematiza, cria espaços para reflexão e criação. Esses duram mais que um ano letivo, pois lá estão guardados pedacinhos pulsantes de vida: aquele poema escrito pelo estudante, o trecho de uma obra que o fez refletir (com a reflexão), a opinião dos amigos e até de internautas desconhecidos. Isso fica, é um livro da vida, um portfólio que a escola sabe que funciona, pois é direcionado à autonomia, à reflexão, ao diálogo. Nesses blogs, o aluno marca presença e continua a fazê-lo ao deixar de ser aluno.

Entender, pois, o gênero textual blog.  Saber fazer dele um espaço de mediação,  às vezes com a sala de aula, mais sempre com a vida; eis as diretrizes para um blog verdadeiramente educativo.



Referências bibliográficas

COSCARELLI,  Carla Viana. Gêneros textuais na escola. Disponível em http://www.ufjf.br/revistaveredas/files/2009/12/artigo051.pdf       Acesso em 04/07/2012

GUTIERRE, Priscilla Brossi. Blogs na sala de aula. Disponível em http://www.educared.org/educa/revista_educarede/especiais.cfm?id_especial=221. Acesso em 04/07/2011. 

RIBEIRO, Tiago da Silva.   EMAIL E BLOG: “ gêneros textuais” ou veículos de comunicação?   Disponível  em http://www.hipertextus.net/volume2/Tiago-Silva-RIBEIRO.pdf   Acesso em 04/07/2012.

SOARES,     Maria    Salete    Prado.        O  BLOG:    conceito    e    uso    pedagógico.      Disponível      em http://teiaeducom.blogspot.com.br/2005/12/o-blog-conceito-e-uso-pedaggico.html        Acesso       em 04/07/2012.

  

 

 

Pulsações  Quando Sopram os  Ventos de Mudança 

 

  Scorpions

O futuro está no ar
Posso senti-lo em todo lugar
Soprando com o vento de mudança
                            
                                                             
O vento da mudança sopra diretamente
Na face do tempo

  

Leve-me  à magia do momento
Numa noite de glória
Onde as crianças de amanhã dividem seus sonhos
Com você e eu








(IN) VENTANDO   POEMAS 

Vladimir Kush

 

 




O TEMPO  E  O  VENTO

(Mário Quintana)


Havia uma escada que parava de repente no ar
Havia uma porta que dava para não se sabe o quê
Havia um relógio onde a morte tricotava o tempo

Mas havia um arroio correndo entre os dedos buliçosos dos pés
E pássaros pousados na pauta dos fios de telégrafo

E o vento!

O vento vinha desde o principio do mundo
Estava brincando com seus cabelos...

 

Vladimir Kush









CANÇÃO DO VENTO NA MINHA VIDA

(Manuel Bandeira) 

O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...

E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.

O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...

E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.

[...]

O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!

E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.




Vladimir Kush






 

O VENTO

(Cecília Meireles) 

O cipreste inclina-se em fina reverência

e as margaridas estremecem, sobressaltadas.

A grande amendoeira consente que balancem

suas largas folhas transparentes ao sol.

Misturam-se uns aos outros, rápidos e frágeis,

os longos fios da relva, lustrosos, lisos cílios verdes.

[...]

Fremem os bambus sem sossego,

num insistente ritmo breve.

O vento é o mesmo:

mas sua resposta é diferente, em cada folha.


[...]





 

 

Pode a poesia mudar o mundo? 

Talvez não, 

Mas o que acontecerá se ela mudar o jeito de olhar o mundo? 

 

 

 

 


Teatro Mágico



 

 

 Outras  pulsações

 





Vladimir Kush

 

 

 

 


(IN) VENTANDO   CRÔNICAS

 

Oi Pessoal, aqui está o trabalho do Módulo 1. 

(Para ler, é só clicar no título ou no endereço logo abaixo. )












       

O MILAGRE DAS FOLHAS

Não, nunca me acontecem milagres. Ouço falar, e às vezes isso me basta como esperança. Mas também me revolta: por que não a mim? Por que só de ouvir falar? Pois já cheguei a ouvir conversas assim, sobre milagres: “Avisou-me que, ao ser dita determinada palavra, um objeto de estimação se quebraria.” Meus objetos se quebram banalmente e pelas mãos das empregadas. Até que fui obrigada a chegar à conclusão de que sou daqueles que rolam pedras durante séculos, e não daqueles para os quais os seixos já vêm prontos, polidos e brancos. Bem que tenho visões fugitivas antes de adormecer – seria milagre? Mas já me foi tranquilamente explicado que isso até nome tem: cidetismo, capacidade de projetar no campo alucinatório as imagens inconscientes.
Milagre, não. Mas as coincidências. Vivo de coincidências, vivo de linhas que incidem uma na outra e se cruzam e no cruzamento formam um leve e instantâneo ponto, tão leve e instantâneo que mais é feito de pudor e segredo: mal eu falasse nele, já estaria falando em nada.
Mas tenho um milagre, sim. O milagre das folhas. Estou andando pela rua e do vento me cai uma folha exatamente nos cabelos. A incidência da linha de milhares de folhas transformadas em uma única, e de milhões de pessoas a incidência de reduzi-las a mim. Isso me acontece tantas vezes que passei a me considerar modestamente a escolhida das folhas. Com gestos furtivos tiro a folha dos cabelos e guardo-a na bolsa, como o mais diminuto diamante. Até que um dia, abrindo a bolsa, encontro entre os objetos a folha seca, engelhada, morta. Jogo-a fora: não me interessa fetiche morto como lembrança. E também porque sei que novas folhas coincidirão comigo.
Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma grande delicadeza”.


(LISPECTOR, Clarice. In As cem melhores crônicas brasileiras.)








 A OUTRA NOITE

Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.

Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou o sinal fechado para voltar-se para mim:

-O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?

Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.

-Mas, que coisa...

Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.

-Ora, sim senhor...

E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei. 
(BRAGA, Rubem.  In Para Gostar de Ler.)








E o que é uma crônica, senão um jeito de olhar o mundo? 

 

 

Agora é com você

 

 

 









3 comentários:

  1. Parabéns pelo Blog! Precisamos desse espaço virtual para sentir poesia, refletir a vida.
    Se puder, visite o meu. Quero torná-lo uma ferramenta de ensino-apredizagem.
    Abraços!

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